Teoria das Ideias de Platão

Platão desenvolveu a noção de que o homem está em contato permanente com dois tipos de realidade: a sensível e a inteligível.

O conhecimento sensível ocupa-se dos objetos sensíveis que são para Platão imagens das ideias; o conhecimento inteligível volta-se para os modelos dos objetos sensíveis, ou seja, as ideias.

Dentro do conhecimento sensível Platão considera dois níveis: o inferior e o superior. No nível inferior encontram-se os fenômenos, as imagens refletidas. Sobre este conhecimento só é possível fazer conjecturas. O nível superior é composto pelos objetos fabricados pelo homem, os seres vivos e plantas. Este segundo grau do sensível não é de saber definitivo, mas faz parte do domínio da crença. Este conhecimento sensível representa o falso saber, simbolizado pelo conhecimento que os prisioneiros da caverna possuem (Veja na obra Alegoria da Caverna).

É com o conhecimento inteligível que entramos no domínio do saber. Neste tipo de conhecimento Platão considera também dois níveis: o inferior e o superior. O grau inferior do conhecimento inteligível corresponde ao conhecimento discursivo, cujos objetos são as hipóteses e formas matemáticas. O grau superior do conhecimento inteligível é a intuição intelectual, a qual tem por objeto os seres inteligíveis superiores, as ideias.

Tal concepção de Platão também é conhecida por Teoria das Ideias ou Teoria das Formas, constitui uma maneira de garantir a possibilidade do conhecimento e fornecer uma inteligibilidade relativa aos fenômenos.

Em outras palavras…

O filósofo grego Platão, há quase 2,5 mil anos, acreditava que o mundo que conhecemos não é o verdadeiro. Para ele, a realidade não estava no que podemos ver, tocar, ouvir, perceber.

A verdade, para Platão, é o que não se modifica nunca, o que é permanente, eterno. Mas como encontrar essa verdade?

Na filosofia de Platão existem dois mundos: o primeiro é aquele que podemos perceber ao nosso redor, com os cinco sentidos. O outro é o mundo das idéias, onde tudo é perfeito e imutável. Não podemos tocá-lo, ele não é concreto. Só o pensamento pode nos levar até lá.

Para entender melhor isso, a gente precisa conhecer uma história que Platão criou: A alegoria da Caverna.

Imagine um grupo de prisioneiros que nasceu no interior de uma caverna escura. Eles estão acorrentados de costas para a entrada da caverna e só podem olhar para a parede do fundo. A luz de uma fogueira projeta nessa parede as sombras de tudo o que existe lá fora. Os prisioneiros acham que elas são a realidade. Nunca viram a luz.

Nossa vida, para Platão, é como a dos prisioneiros do mito, acorrentados no fundo da caverna. Vemos as coisas que conhecemos como se fossem reais, mas não passam de sombras, ilusão. A verdade está fora da caverna, no mundo das idéias, na luz. Ou seja: é preciso desconfiar do que nossos olhos e ouvidos dizem. Devemos nos guiar pelo pensamento e pela razão. Foi em torno dessa ideia que nasceu a filosofia, no fim do século V antes de Cristo.

O filósofo grego foi ainda mais longe: Platão afirmava que o corpo era um túmulo que aprisiona a alma. Um obstáculo ao pensamento.

Platão acredita que para atingir a verdade e o bem, você deve se libertar da sedução dos sentidos.

Em um shopping, por exemplo, você pode ficar hipnotizado pelas vitrines, pelas pessoas bonitas que encontra, por aquele doce gostoso. São os apelos do corpo, que nos levam a paixões descontroladas e nos afastam da verdade. Platão dizia que ele deve ser sempre submetido às avaliações do pensamento.

Mas qual a relação entre o mundo dos sentidos e o das idéias? Tudo o que a gente vê e percebe ao redor são cópias mal-feitas das idéias, que são perfeita e eternas. É como se a natureza e as pessoas fossem uma cópia de modelos que só existem no mundo das idéias. O que Platão quer com isso é distinguir o verdadeiro do falso, o semelhante do diferente, a essência da aparência.

Você sabia que Platão também desconfiava da arte? O motivo: ela seduz nossos sentidos e nos desvia da busca pela verdade. O artista se inspira em coisas que existem no mundo, ou seja: em cópias, por exemplo, como em uma mulher.

Uma mulher é a cópia de um modelo perfeito de outra que só existe no mundo das idéias. A arte, portanto, seria cópia da cópia – duplamente enganadora. Se a arte é cópia da cópia imagine o que seria uma banda cover! Cópia da cópia da cópia.

As ilusões da arte atrapalham, a filosofia, não. Só ela é capaz de conduzir o homem ao bem e è verdade.

O que a herança platônica nos deixou foi uma forma de avaliar o mundo que opõe o bem e o mal a partir de modelos fixos, de idéias. Vivemos guiados por ideais – o ideal de corpo, de filho, de marido – mas será que é possível atingi-los?

Será que viver nas sombras é pior do que viver na luz, como Platão imaginou?

Nesse mundo de mudanças, o que existe são diferenças. E em nossas diferenças, somos todos originais.

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