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Método Cartesiano - Projeto Cartesiano de René Descartes

Método Cartesiano - Projeto Cartesiano

Descartes é um dualista. Isto significa que ele acredita que a mente e o corpo são duas espécies de coisas bastante distintas, dois tipos do que ele chama “substância”.


Para Descartes, a nossa mente (ou consciência) e a realidade externa são dois reinos separados e autônomos, nenhum sendo dependente do outro. Embora ele não negue que a mente seja capaz de compreender objetos externos a ela, aquilo de que estamos imediatamente conscientes, para Descartes, não são os objetos externos, mas apenas representações mentais, ou idéias, produzidas pela nossa própria mente. A mente, portanto, tem contato com o mundo externo apenas através de idéias, que são representações mentais dos objetos externos.


A filosofia da época era dominada pelo método escolástico, que era inteiramente baseada em comparar e contrastar visões de autoridades reconhecidas e da Igreja. Rejeitando este método, Descartes estava determinado a não acreditar em nada que não tivesse fundamentos para provar que era realmente verdade. Ele acreditava que para chegar à verdade era necessário começar do zero, até mesmo sobre sua própria existência. Descartes acreditava que uma pessoa não deveria buscar respostas baseadas na fé, e sim na suspeita.


Seguindo sua linha de pensamento, seus estudos tiveram início colocando em dúvida sua própria existência. Descartes chegou à conclusão que uma consciência clara de seu pensamento provava sua própria existência. Isso foi considerado um fato verdadeiro a partir do qual ele passou a provar a existência de outras coisas. Sua conclusão foi expressa através das clássicas palavras Cogito, ergo sum: “Penso, logo existo”.


Descartes é considerado o criador da geometria analítica. Ele fez uma importante ligação entre geometria e álgebra, que permitia a resolução de problemas geométricos por meio de equações algébricas.
Na álgebra, Descartes colaborou com o estudo de raízes negativas, formulando a regra dos sinais de Descartes, que tinha a finalidade de descobrir o número de raízes positivas e negativas para qualquer equação algébrica. A Teoria de Descartes providenciou a base para o Cálculo de Newton e Leibniz, e então, para muito da matemática moderna.


O Projeto Cartesiano

Na verdade, o projeto Cartesiano de Descartes é maior do que simplesmente reconstruir a filosofia. Ele quer fornecer um fundamento racional para as crenças das pessoas comuns bem como para a ciência que começava naquela época, da qual foi um defensor e para a qual fez contribuições importantes.

Um indivíduo (seja ele uma pessoa comum ou um cientista) desenvolve muitas de suas crenças antes de chegar à idade da razão. Mesmo depois da idade da razão, freqüentemente adquire crenças através do exercício não-crítico de sua atividade sensorial, de testemunhos não confiáveis de outros, de apelo a autoridades indignas de crédito. Quem pretende ser racional em suas convicções, tem, mais cedo ou mais tarde, de limpar a sua mente de todas as suas crenças, duvidando de tudo aquilo que é incerto e passível de dúvida, e reconstruindo suas crenças sobre um novo fundamento, certo e indubitável (Kenny, 14).


O Projeto Cartesiano - Descartes resume seu projeto:

Muitos anos atrás percebi quantas opiniões falsas vinha aceitando como verdadeiras desde minha infância, e quão dúbio tudo o que eu nelas baseava deveria ser. Decidi, então, que, se realmente quisesseestabelecer algo de sólido e duradouro nas ciências, teria que, deliberadamente, me livrar de todas as opiniões que até então aceitara e começar a construir tudo de novo, a partir do zero... Não seria necessário, para os meus propósitos, mostrar que todas minhas convicções eram falsas -- tarefa que poderia nunca vir a concluir. Como a razão já me havia persuadido de que deveria deixar de acreditar tanto nas coisas que parecem ser manifestamente falsas como naquelas que não são inteiramente certas e indubitáveis, o menor fundamento para uma dúvida seria suficiente para me fazer rejeitar qualquer de minhas opiniões. Por isso, não precisei examinar cada uma de minhas convicções, individualmente, o que seria um trabalho interminável, mas apenas os fundamentos em que se baseavam, pois a destruição da fundação faz com que todo o edifício venha a ruir" (Medit I, 144-45, cr Aune, 8-9)

O objetivo de Descartes é, portanto, examinar o fundamento que existe para as várias categorias de crença que possuía. Se o fundamento de toda uma categoria de crenças pode ser questionado, as crenças baseadas nesse fundamento não podem ser tidas como inteiramente certas. Pode até ser que as crenças sejam verdadeiras, mas é também possível que sejam falsas, e, se é possível que sejam falsas, elas não podem ser consideradas indubitáveis. Talvez subseqüentemente, quando encontrar fundamentos certos e indubitáveis para suas crenças, Descartes possa voltar a aceitar algumas das crenças abandonadas e mostrar que são verdadeiras. Por enquanto, porém, ele as colocará de lado como suspeitas e indignas de credibilidade (Aune, 10).


O Método Cartesiano

O método de Descartes foi proceder de forma matemática, primeiro estabelecendo os princípios fundamentais, para a seguir derivar deles suas conseqüências, da mesma forma que teoremas são derivados de axiomas (Aune, 7-8, NKS, SCP, 27). Dessa forma, utilizando o método rigoroso do raciocínio matemático, ele esperava construir, sobre bases firmes e sólidas, um edifício filosófico que ficasse imune à controvérsia fútil que havia caracterizado a filosofia que aprendera na escola (Aune, 7-8).


Também consiste o método, na realização de quatro tarefas básicas:


Verificar se existem evidências reais e indubitáveis acerca do fenômeno ou coisa estudada; consiste em nunca aceitar algo como verdadeiro sem conhecê-lo evidentemente como tal, isto é, evitar cuidadosamente a precipitação e a prevenção; não incluir nos meus juízos nada que não se apresentasse tão clara e distintamente à minha inteligência a ponto de excluir qualquer possibilidade de dúvida.


Analisar, ou seja, dividir ao máximo as coisas, em suas unidades de composição, fundamentais, e estudar essas coisas mais simples que aparecem. Trata de dividir o problema em tantas partes quantas fossem necessárias para melhor poder resolvê-lo.


Sintetizar, ou seja, agrupar novamente as unidades estudadas em um todo verdadeiro; e conduzir por ordem os meus pensamentos, começando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer, para subir pouco a pouco, gradualmente, até o conhecimento dos mais compostos; e admitindo uma ordem mesmo entre aqueles que não apresentam nenhuma ligação natural entre si.


Enumerar todas as conclusões e princípios utilizados, a fim de manter a ordem do pensamento, ou seja, fazer enumerações tão completas, e revisões tão gerais, que tivesse certeza de nada ter omitido.


Conclusão


Descartes teve grande influência no desenvolvimento da filosofia, repercutindo nos estudos da matemática, ciências e também nos campos da justiça e da teologia. Acima de tudo, seu trabalho filosófico teve um grande impacto sobre o pensamento europeu. Descartes influenciou muitos dos filósofos que vieram posteriormente. Ao longo dos séculos XVII e XVIII, suas idéias filosóficas estiveram sempre presentes. Grandes filósofos como Locke, Hume e Kant utilizaram suas teorias e princípios. Por estas razões, ele é freqüentemente chamado de o pai da filosofia moderna.


Biografia de René Descartes


O filósofo, físico e matemático francês René Descartes nasceu na França, em 31 de março de 1596, e herdou do pai recursos suficientes para manter uma vida confortável, com busca do conhecimento intelectual e viagens. De 1604 a 1612, frequentou uma escola jesuíta, onde estudou matemática e ciências humanas. Demonstrava também grande talento para a filosofia, física e fisiologia. Devido à fragilidade da sua saúde, Biografia de René Descartes

Veja Biografia completa de Descartes


Frases de René Descartes

Penso, logo existo... (Frases de René Descartes)


Daria tudo que sei pela metade do que ignoro.

Eleva a tal ponto a tua alma, que as ofensas não a possam alcançar. (Frases de René Descartes)


O alimento da juventude é a ilusão. (Pensamentos de Descartes)


Viver sem filosofar é, propriamente, ter os olhos fechados, sem tratar de abrí-los jamais. (Frases de René Descartes)


Deve-se evitar toda "precipitação" e todo o " preconceito" ao se analisar um assunto e só ter por verdadeiro o que for claro e distinto. (Pensamentos de Descartes)


As maiores almas são tanto capazes dos maiores vícios como das maiores virtudes. (Frases de René Descartes)


A razão ou o juízo é a única coisa que nos faz homens e nos distingue dos animais. (Pensamentos de Descartes)

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