( 37 Votes )

A Ansiedade - Psicanálise de Freud

 

A ansiedade funciona como um alerta das ameaças contra o ego. Freud descreveu três tipos de ansiedade. A ansiedade objetiva surge do medo dos perigos reais. Os outros dois tipos, a ansiedade neurótica e a ansiedade moral, derivam da ansiedade objetiva.


    A ansiedade neurótica surge diante do reconhecimento dos perigos potenciais inerentes à satisfação dos instintos do id. Não se trata dos instintos propriamente ditos, mas do temor à provável punição em conseqüência de algum comportamento indiscriminado dominado pelo id. Em outras palavras, a ansiedade neurótica é o medo da punição por expressar os desejos impulsivos.
    

 A ansiedade moral surge do medo da consciência. Quando realizamos - ou mesmo pensamos em realizar - algum ato contrário aos valores morais da nossa consciência, é bem provável sentirmos culpa ou vergonha. O nível de ansiedade moral resultante depende do quão desenvolvida é a nossa consciência. As pessoas com menos virtudes apresentam menos ansiedade moral.


     A ansiedade provoca tensão, motivando o indivíduo a tomar alguma atitude para reduzi-la. De acordo com a teoria de Freud, o ego desenvolve um sistema de proteção - os chamados *mecanismos de defesa - que consistem nas negações inconscientes ou distorções da realidade. Alguns desses mecanismos de defesa estão descritos na tabela abaixo.


    *Mecanismos de Defesa Freudianos


Negação

A negação da existência de uma ameaça externa ou de um acontecimento traumático; por exemplo: uma pessoa com doença terminal pode negar a eminência da morte.

 

Deslocamento

A transferência dos impulsos do id de uma ameaça ou de um objeto não-disponível para um objeto disponível; por exemplo: a transferência para uma criança da hostilidade de um indivíduo em relação ao chefe.

 

Projeção
A atribuição de um impulso perturbador a outra pessoa; por exemplo: o indivíduo afirma que não odeia o professor e que, ao contrário, é o professor quem o odeia.

 

Racionalização
A reinterpretação do comportamento para torná-lo mais aceitável e menos ameaçador; por exemplo: o indivíduo afirma que o emprego do qual foi despedido não era tão bom assim.

 

Formação de reação

A expressão de um impulso do id, que é o oposto do que impulsiona a pessoa; por exemplo: o indivíduo perturbado por causa de paixões sexuais pode tornar-se um combatente feroz da pornografia.

 

Regressão

O retorno a um período anterior, menos frustrante da vida, acompanhado da exibição de um comportamento dependente e infantil característico desse período mais seguro.

 

Repressão

A negação da existência de um fator provocador da ansiedade, ou seja, a eliminação involuntária de algumas lembranças ou percepções da consciência que provoquem desconforto.

 

Sublimação

A alteração ou o deslocamento dos impulsos do id desviando a energia instintiva para os comportamentos socialmente aceitáveis; por exemplo: desviar a energia sexual para um comportamento de criação artística.
 

*Mecanismos de defesa: comportamentos que representam as negações inconscientes ou distorções da realidade, mas que são adotados para proteger o ego contra a ansiedade.





Artigos Relacionados