Os Fios de Hefestos - Mitologia

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O que é Mitologia grega?

Você já deve ter ouvido falar sobre a Mitologia grega, mas você sabe o que é a Mitologia grega?


A Mitologia grega é um conjunto de mitos (crenças), lendas e rituais dos antigos gregos, basicamente ela era composta por diversos mitos sobre os deuses e enfatizaram o contraste entre as fraquezas dos humanos e as forças da natureza.


Como surgiu a Mitologia grega?

A Mitologia grega surgiu da curiosidade que os gregos tinham de explicar a origem da vida, os problemas da existência, fenômenos da natureza, dentre outros assuntos. Como nessa época não haviam explicações científicas, os gregos criaram um conjunto de relatos fantasiosos e imaginativos para explicar tais questionamentos.


Abaixo segue mais um dos mitos mais conhecidos da Mitologia grega.


Fios de Hefestos


   Na Odisséia, Hefestos é marido de Afrodite. Outras tradições fazem, pelo contrário, de Afrodite, mulher de Ares. Como os deuses tinham nas diversas localidades lendas diferentes e por vezes contraditórias, a poesia, vendo Afrodite unida a Ares, ou unida a Hefestos, pretendeu conciliar as várias tradições por meio de um adultério, e daí saiu a história dos fios de Hefestos. Hesíodo dá por esposa a Hefestos Aglé, a mais jovem das Graças. Mas a história dos fios de Hefestos prevaleceu e faz que as outras sejam esquecidas. O que é notável nessa história é que Hefestos parece unicamente preocupado com os presentes que trouxe como dote à mulher e que ele pretende reaver.


   O Sol que vê tudo advertiu Hefestos das ligações existentes entre sua mulher e o deus da guerra. Hefestos, então, coloca sobre um cepo uma enorme bigorna e forma grilhões indestrutíveis. Essas cadeias eram finas como teias de aranha, e ninguém conseguia percebê-las, tal a habilidade com que haviam sido feitas. Mal Hefestos viu os dois culpados enredados nos fios, pôs-se a chamar todos os deuses.


"Poderoso Zeus, e vós, imortais afortunados, acorrei para testemunhardes uma interessante cena que ninguém poderia, no entanto, tolerar! Visto que eu sou disforme, a filha de Zeus me ultraja sem cessar; agora, une-se ao pernicioso deus da guerra, por ser ele belo e esbelto, ao passo que eu sou feio e corcunda! Meus pais são os únicos culpados desta desgraça; jamais deveriam ter-me posto no mundo!... Os laços que forjei para eles hão de retê-los até o dia em que o pai de Afrodite me devolver todos os presentes que lhe dei para conquistar-lhe a impudente filha. Afrodite é bela, sem dúvida, mas não consegue dominar as suas paixões." (Homero).


   Embora tal narração seja apresentada sob forma cômica, convém notar que é a confusão dos amantes que leva os deuses a rir, e não a desventura do esposo, como facilmente se supõe hoje.


Os Ciclopes


   Os ciclopes, obreiros de Hefestos, são habitualmente caracterizados pela enormidade do vulto e pelo único olho, posto no meio da testa. Entretanto, Albane afastou-se muito desse tipo. Incumbido de pintar os quatro elementos para o cardeal de Sabóia, escolheu Hefestos e a sua forja para representar o fogo. Mas o seu quadro nada possui de terrível.


   Eis um fragmento da carta que ele escreveu ao cardeal para lhe anunciar o envio do quadro pedido. "Pintei, como Vossa Alteza verá, não somente o fogo celeste e propriamente elementar, representado pelo poderoso Zeus, senão também o fogo material e o do Amor, de que Hefestos e a deusa de Chipre são os emblemas: não quis colocar as forjas de Hefestos nem Brontes, nem os demais ciclopes; preferi fixar três jovens Amores, visto que a carne de meninos dessa idade constituem interessante oposição às amorenadas de Hefestos. Tive, também, de me conformar nessa escolha ao desejo de Vossa Alteza sereníssima, pois o embaixador me dissera que conviria representasse eu grande número de Amores ferindo com as suas setas irresistíveis o mármore mais duro, o aço, o diamante e o próprio coração dos deuses."


   Noutro quadro Albane coloca Hefestos al lado de Afrodite. A sua oficina já não é uma forja, mas um prado coberto de flores. Os seus obreiros não são mais os robustos ciclopes, e o ruído dos seus Areslos é temperado pelo das cascatas. Enquanto na entrada de uma gruta recoberta de usgo, um deles aciona o fole, outros apresentam a Afrodite as armas que acabam de fabricar para ele e para o filho: essas armas são naturalmente setas. A deusa, deitada descuidadamente à sombra dos bosquetes, sorri para tudo quanto a rodeia e seu esposo, o rude Hefestos, que repousa ao seu lado, busca tornar-se amável para não prejudicar o quadro.


   Os ciclopes sempre foram considerados como personagens formidáveis. Quando Diana quis ter uma aljava e setas dignas da sua habilidade, foi visitar Hefestos que ela encontrou na forja rodeado pelos ciclopes seus obreiros.


"As ninfas empalideceram à vista de tais gigantes semelhantes a montanhas e cujo olho único, sob espessa sobrancelha, brilhava ameaçadoramente. Uns faziam gemer imensos foles; outros, levantando os pesados Areslos, batiam furiosamente o bronze que tiravam da fornalha. A bigorna estremece, o Etna e a Sicília tremem, a Itália ecoa o estrondo e a própria Córsega se sacode. Àquele terrível espetáculo, àquele medonho fragor, as filhas do Oceano ficam estarrecidas... e trata-se, aliás, de um estarrecimento perdoável; as próprias filhas dos deuses, na sua infância, só encaram tais gigantes com temor, e quando se recusam a obedecer, suas mães fingem chamar Arges ou Steropes: Hermes acorre com as feições de um desses ciclopes, de rosto coberto de cinza e fumaça; imediatamente, a criança, terrorizada, cobre os olhos com as mãos e se atira tremendo ao seio materno." (Calímaco).




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