5° Semestre - Abordagens Humanistas em Psicologia

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OBJETIVOS DA MATÉRIA

 

Reconhecimento dos pressupostos epistemológicos e ontológicos da Psicologia Humanista e da Fenomenologia para a investigação do humano. Diferenças e aproximações entre a psicologia Humanista e a Fenomenologia com vistas à identificação do fenômeno psicológico em sua especificidade. O método fenomenológico e sua articulação com a psicologia.

 

AO ESTUDAR ESTA MATÉRIA O ALUNO DEVE SER CAPAZ DE:

 

Diferenciar a especificidade do pensamento humanista em psicologia em relação a outras formas de pensamento;

Diferenciar a especificidade do pensamento fenomenológico em relação a outras formas de pensamento.

Situar o lugar e a função do psicólogo em uma abordagem humanista;

Situar o lugar e a função do psicólogo em uma perspectiva fenomenológica.

 

CONTEÚDO PROPOSTO PARA A MATÉRIA

 

1º BIMESTRE

 

Histórico da perspectiva humanista na Psicologia e alguns de seus representantes.

A concepção de homem e as condições em que ocorre a mudança e o crescimento psicológicos.

A ênfase no aspecto relacional e afetivo: escuta compreensiva como fator de mudança psicológica.

Interface entre a Psicologia Humanista e a Fenomenologia. Abordagem

Humanista, Psicologia da Gestalt e Gestalt-terapia como exemplos de atuação do psicólogo.

2º BIMESTRE

Introdução à Fenomenologia de Edmund Husserl.

A natureza da percepção numa perspectiva fenomenológica.

A proposta de Husserl de “retorno às coisas mesmas” e a intuição das essências.

O método fenomenológico: sua definição, suas etapas e seus fins.

A investigação do humano associada a uma perspectiva fenomenológica.

Intenção e compreensão.

O método fenomenológico na psicologia.

 

RESUMO DAS AULAS

 

ABORDAGENS HUMANISTAS EM PSICOLOGIA - bi


3 perspectivas diferentes:

- humanismo
- fenomenologia
- existencialismo

As 3 têm em comum:

- lugar da teoria no trato com o ser humano.
- Que peso que tem a teoria na hora que eu trato o paciente
- A teoria não é intermediária no tratamento do paciente

A implicação do que está sendo feito.
O significado dos fatos importa mais do que os fatos propriamente dito.
A singularidade faz a diferença. “Como” eu vivo. A diferença está nesta diferença que nos leva à técnica.

Introdução à Abordagem centrada no cliente:

Biografia de Carl Rogers

- histórico pessoal
- da religião à psicologia
- primeiros trabalhos: psicoterapia, observação, pesquisa
- influências
- primeiras propostas

Supervaloriza o aspecto da implicação do psicólogo e seu trabalho. Sempre insere eua experiência pessoal. Escreveu a partir de sua prática e sobre o que descobriu através dela.

Acreditava que através das relações pessoais é que se gerava desenvolvimento e crescimento. Mesmo tendo uma experiência de vida oposta (família rígida, religiosa, fechada).

Propõe “ajuda” como via de mão dupla.
Foi criticado por querer “ajudar” (tido como paternal e assistencialista)

Uma relação de ajuda trata de trocas entre as diferenças terapeuta/paciente, onde se invertem os papéis (lugares). Esta ajuda não deve ser assistencialista.

Via de mão-dupla: no sentido de que só a disponibilidade de ouvir do terapeuta já tem conotação de alternância entre terapeuta e paciente.

O humanismo enfatiza a questão ética em prol da técnica. O problema então não é errar, mas sim não reconhecer.

Rogers não cita a filosofia ou teoria sobre as quais se embasou. Ele escreveu sobre sua experiência prática.

Começa seus trabalhos numa clínica para crianças. Não seguia a risca a psicanálise da clínica. Ai então ele descobre que “ouvir atentamente” já é terapêutico.

TRABALHO NÃO-DIRETIVO: proposta de trabalho que enfatiza a ATITUDE, A POSTURA do terapeuta. Não é o saber do terapeuta que modificará a vida do paciente. Neste trabalho, “ouvir atentamente” é ouvir COMO o paciente relata e pôr a atenção nos aspectos afetivos do discurso e daí partir para a investigação dos sentimentos adultos do paciente.

Ouvir é o ponto de partida para sua investigação. É mais importante do que aplicar as teorias aprendidas anteriormente. Ouvir é importante, desprovido de preconceitos.

TERAPIA CENTRADA NO CLIENTE (1950)

O conhecimento do terapeuta não promove mudanças no paciente. O paciente é que tem a capacidade de mudar. Cabe ao terapeuta, apenas promover esta mudança.

Tríade do terapeuta:

- teoria/técnica
- prática
- crescimento pessoal

O investimento no crescimento pessoal do terapeuta é primordial.

A passagem da terapia não-diretiva para a abordagem centrada no cliente se deu quando Rogers percebe que a capacidade de mudança está no paciente. A empatia fez com que o paciente entrasse em contato consigo e crescesse pessoalmente.

Quem dirige a terapia é o paciente, não terapeuta. Este é apenas um agente facilitador.

Rogers rejeita o termo paciente por associa-lo à medicina, que é uma mão de via única. Adota cliente. Cliente também sugere a responsabilidade da escolha.

INTRODUÇÃO Á ABORDAGEM CENTRADA NA PESSOA

Objetivo: ajudar o cliente
Focaliza mudanças e desenvolvimento
Os alicerces da filosofia humanista: liberdade, dignidade, criatividade

Para Rogers, o cliente sabe o significado de sua experiência. Ele crê que o trabalho terapêutico causa no cliente a aprendizagem significativa. Cada indivíduo pode encontrar seu significado de uma determinada experiência.

O trabalho terapêutico é mais uma filosofia de vida.

Centro de experiência – significado que o indivíduo dá ao fenômeno. É o “potencial” para significar.
Intuição – capacidade atribuir significado. Rogers usava a intuição como atribuição de significados.

A mudança de TCP para ACP é que Rogers muda o foco para as relações que mudam o indivíduo. Iniciou na clínica, mas muda para o meio externo. Ele então muda o trabalho terapêutico.

Rogers acreditava que ao se relacionar com o cliente no consultório, este seria capaz de reproduzir a forma de relação, em outras relações.

“Um jeito de ser” Rogers faz mudanças profundas na sua visão. Enfatiza o místico (diferentemente dos 2 primeiros livros)

ATITUDES PARA A TERAPIA ROGERIANA

1) As condições necessárias para a mudança, crescimento e desenvolvimento são:

- empatia: “como se”
- aceitação: “não impor juízo ao outro”
- congruência: nem tudo que eu sinto e penso tem que ser dito ao cliente, mas tudo que eu digo a ele, deve ser sentido. Vem da coerência de me expor e me mostrar como de fato sou.

Alicerce da ACP: confiança básica na pessoa.

2) Crença na tendência para a realização que é presente em todos os seres humanos. Todos têm recursos para crescimento (por isso centrada no cliente). O terapeuta é apenas um agente que facilita o outro no processo de “vir a ser”. Um catalisador (visão transcendental)

A tendência à destruição é uma distorção à tendência de realização.

3) Requisitos para o facilitador

4) do nível individual para o universal

5) Tendência formativa (complexidade inter relacional). O papel de catalisador (acelerador). O olhar para o todo. O indivíduo como detalhe dentro do todo.

6) A consciência e a pessoa em funcionamento integral. O objetivo maior do trabalho. Deixa de ser um trabalho interpessoal e passa a ser transpessoal. A consciência mais transpessoal “para além de si mesma”. Disposição para algo que está fora (daí transcendental). Isso é alcançável através das atitudes. Rogers vê que a a tendência à auto-realização está no universo (nível universal de tendência ao crescimento).

Ao entrar em contato com o seu centro intuitivo, você percebe a tendência transcendental ao crescimento.

OUTROS ESCRITOS

Tendência à Realização – característica da vida orgânica.
Tendência Formativa – característica do universo como um todo.

Essas duas juntas constroem a pedra fundamental da abordagem centrada na pessoa.

Os indivíduos possuem dentro de si vastos recursos para a autocompreensão e para modificação de seus autoconceitos, de suas atitudes e de seu comportamento autônomo. Esses recursos podem ser ativados se houver um clima passível de definição, de atitudes psicológicas facilitadoras.

Há três condições que deve estar presentes para que se crie um clima facilitador de crescimento. Elas se aplicam, na realidade, a qualquer situação na qual o objetivo seja o desenvolvimento da pessoa.

1- autenticidade, sinceridade e congruência: Quanto mais o terapeuta for ele mesmo na relação com o outro, quanto mais puder remover as barreiras profissionais ou pessoais, maior a probabilidade de que o cliente mude e cresça de um modo construtivo. O terapeuta se faz transparente para o cliente. O cliente pode ver claramente o que o terapeuta é na relação. Portanto, dá-se uma grande congruência, entre o que está sendo vivido em nível profundo, o que está presente na consciência e o que está sendo expresso pelo cliente.
2- Aceitação e interesse ou consideração (aceitação incondicional): O terapeuta deseja que o cliente expresse o sentimento que está ocorrendo no momento, qualquer que ele seja – confusão, ressentimento, medo, amor, etc. O terapeuta tem uma consideração integral e não condicional pelo cliente.
3- Compreensão empática: O terapeuta capta com precisão os sentimentos e os significados pessoais que o cliente está vivendo e comunica essa compreensão ao cliente.Se as pessoas são aceitas e consideradas, elas tendem a desenvolver uma atitude de maior consideração em relação a si mesmas. Quando as pessoas são ouvidas de modo empático, isto lhes possibilita ouvir mais cuidadosamente o fluxo de suas experiências internas.

A abordagem centrada na pessoa baseia-se na confiança em todos os seres humanos e em todos os organismos. Pouco importa que o estímulo venha de dentro ou de fora, pouco importa que o ambiente seja favorável ou desfavorável. Em qualquer uma dessas condições, os comportamentos de um organismo estarão voltados para a sua manutenção, seu crescimento e sua reprodução. Essa é a própria natureza do processo que chamamos vida. A tendência realizadora pode, evidentemente, ser frustrada ou desvirtuada, mas não pode ser destruída sem que se destrua também o organismo. Esta tendência construtiva e poderosa é o alicerce da abordagem centrada na pessoa.O organismo em seu estado normal, busca a sua própria realização, a auto-regulação e a independência do controle externo.Quando consigo criar um fluído amniótico psicológico surge movimento para a frente, de natureza construtiva.O substrato de toda a motivação é a tendência do organismo à auto-realização.Parece existir no universo uma tendência formativa que pode ser observada em qualquer nível. Essa tendência vem recebendo muito menos atenção do que merece. Não é preciso descrever todo o processo gradual da evolução orgânica. Já temos conhecimento da complexidade cada vez maior dos organismos. Nem sempre são bem-sucedidos em sua adaptação a um ambiente em contínua mudança, mas a tendência à complexidade é sempre evidente. O universo está em constante construção e criação, assim como em deterioração. Esse processo também é evidente no ser humano.Havendo maior autoconsciência torna-se possível uma escolha mais bem fundamentada, uma escolha mais livre de introjeções, uma escolha consciente mais em sintonia com o fluxo evolutivo. Essa pessoa está potencialmente mais consciente, não só dos estímulos com também das idéias e sonhos, do fluxo de sentimentos, emoções e reações fisiológicas advindas do seu interior. Quanto maior essa consciência, mais a pessoa flutuará segura numa direção afinada com o fluxo evolutivo.

Biografia

Carl Rogers ( 1902 - 1987)

Carl Rogers nasceu no dia 8 de janeiro de 1902 em Parque de Carvalho, Illinois, subúrbio de Chicago. Filho de engenheiro, teve uma infância isolada e uma educação rígida . Estudou teologia e transformou-se em pastor de uma pequena igreja de Vermont. Foi na Universidade de Columbia que despertou uma inclinação para a psicologia clínica e educacional. Em 1942 escreveu seu primeiro livro.Teve seu trabalho clínico voltado para as crianças em 1931. Nesta clínica, ele aprendeu sobre a teoria de Otto Grau e técnicas de terapia .Rogers soube unir com perspicácia terapêuticas o conceito do organismo humano e as possibilidades de sua ação. Confirmando pela prática que o cliente em seu procedimento, normalmente sabe melhor que o terapeuta. Ele sentia que o cliente era quem deveria dizer o que estava errado, deveria achar maneiras de melhorar, e deveria determinar a conclusão de terapia.No serviço Carl Rogers era extremamente cauteloso. Foi atraente a gerações sucessivas de pedagogos informais. Os temas e preocupações que ele desenvolveu tem uma relevância direta ao trabalho desses profissionais, como indivíduos preocupados aparentemente. Pedagogos informais também tiveram acesso a estas idéias. Seus temas eram geralmente aplicados em trabalho terapêutico com grupos.A teoria inteira é construída sobre a "força de vida" , que pode ser definida como uma motivação intercalada em toda a forma de vida, a fim de desenvolver seus potenciais, creditando suas possibilidades. Segundo Rogers, toda criatura se esforça para fazer o melhor , se assim não é feito, não é por falta de desejo.Seus conceitos psicoterápicos como " empatia," " reflexão," consideração positiva " incondicional, são idéia que trabalhadas por profissionais certos chegam a ser uma arte, explorando e curando a psique. Por exemplo, psicologia de ego, teoria de relações de objeto, são claras noções humanísticas , ingredientes necessários para a ego-atualização. Rogers pode ser considerado um desbravador."Reflexão têm que vir do coração--deve ser genuíno, correspondente."Destaque para três qualidades especiais1. Congruência--autenticidade, honestidade com o cliente.2. Empatia--a habilidade para sentir isso com os tatos do cliente.3. Respeito--aceitação, consideração positiva incondicional para o cliente.Ele diz que estas qualidades são " necessárias e suficientes: " Se o terapeuta mostrar estas três qualidades, o cliente melhorará, até mesmo se nenhuma outra técnica " especial " for usada. Se o terapeuta não mostrar estas três qualidades, a melhora do cliente será mínima, não importa quantas " técnicas " forem usadas."Ele era um dos primeiros, se não O primeiro, psicólogo para propor uma teoria inclusiva sobre psicoterapia. Antes de Rogers, quase todas formas de terapia centraram ao redor de psiquiatria e psicanálise." Carl Rogers era um comunicador realizado, também era um médico comprometido que olhou às próprias experiências , dominava uma concentração em técnica e método.Liberdade para Aprender , é uma declaração clássica de possibilidade educacional. Carl Rogers, era um professor talentoso. Sua aproximação com essa área cresceu da orientação em encontros profissionais. Ele se viu como um facilitador - alguém que criou o ambiente para um compromisso. A facilidade com que manipulava suas habilidades como professor, favoreciam as transmissões de informações. Carl Rogers proporcionou para os pedagogos algumas perguntas fascinantes e importantes com respeito aos seus modos de estar com participantes, e os processos que eles poderiam empregar.Acredito que esse conceito se aplica aos estudantes em situações de testes.Quando se está em uma situação onde há uma incoerência entre a própria imagem e a experiência, está por exemplo em uma situação ameaçadora. Quando estiver esperando uma situação ameaçadora, você sentirá uma ansiedade, isso é um indicativo de que terá aborrecimento pela frente. Essa prática é comum no meio estudantil, para evitar, muitas vezes o indivíduo por insegurança foge do problema e transforma esse ato em uma opção de vida. É um ato de defesa. Isso pode se transformar em um ciclo vicioso.Rogers tem suas idéias de defesa parecidas com as de Freud. Existe uma relação entre testes com perguntas e resultados, método visto até como repressivo. Existe uma questão apresentada nessa relação que é muito interessante; um estudante quando vai mal em algum tipo de teste, pode perfeitamente culpar o professor, julgando improcedentes as informações transmitidas. O fato é que às vezes os professores são negligentes, escrevem perguntas em formas de pegadas ( truques ), isso só prejudica o trabalho.Para Rogers nós precisamos de considerações positivas, para termos condições de transformar de alguma forma nosso organismo, avaliando nossas tendências e atualizações dentro de uma sociedade que pode ou não absorver nossos interesses. A criança de forma geral pode ser "saudável e feliz".Rogers era um grande escritor. A declaração mais completa da teoria dele está em Terapia Cliente-centrada (1951) . Duas coleções de composições são muito interessantes: Em Se tornar uma Pessoa (1961) e Um Modo de Ser (1980) . Há uma coleção agradável do trabalho dele em O Carl Rogers Reader, editado por Kirschenbaum e Henderson (1989).Ele proveu terapia, fez discursos, e escreveu, até a morte em 1987.

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

BÁSICA

 

AMATUZZI, M. M. Por uma Psicologia Humana. São Paulo: Ed. Alínea,

2008 (2ª edição).

ROGERS, C. R. Tornar-se pessoa. São Paulo: Martins Fontes, 1976.

DARTIGUES, A. O que é Fenomenologia. São Paulo: Editora Moraes,

1992 (3ª edição)

MERLEAU-PONTY, M. Fenomenologia da percepção. São Paulo: Martins

Fontes, 1994.

YONTEF, G. M. Processo, diálogo, awareness: ensaios em Gestaltterapia.

São Paulo: Summus, 1998.

 

COMPLEMENTAR

 

BELLO, A. A. Introdução à Fenomenologia. Bauru, SP: EDUSC, 2006.

CARMO, P. S. Merleau-Ponty: uma introdução. São Paulo: EDUC, 2002.

FORGHIERI, Y. C. Psicologia Fenomenológica: fundamentos, método e

pesquisa. São Paulo: Ed. Pioneira Thomson, 2000.

GOTO, T. A. Introdução à Psicologia Fenomenológica: a nova

psicologia de Edmund Husserl. São Paulo: Paulus, 2008.

MOREIRA, D. A. O método fenomenológico na pesquisa. São Paulo: Ed.

Pioneira Thomson, 2001.


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