Biografia de Ivan Petrovich Pavlov

( 59 Votes ) Ivan Petrovich Pavlov

Ivan Petrovich Pavlov nasceu na cidade de Ryazan, região central da Rússia, e era o mais velho dos 11 filhos de um pastor. Sendo o irmão mais velho de uma família tão numerosa, teve de desenvolver bem prematuramente o senso de responsabilidade e a disposição para trabalhar muito, mantendo essas características por toda a vida. Por um bom tempo, não pôde freqüentar a escola por causa de um ferimento na cabeça em conseqüência de um acidente sofrido aos sete anos, e, assim, seu pai lhe ministrava aulas em casa. Matriculou-se no seminário com a intenção de se tornar pastor, mas, depois de ler a teoria de Darwin, mudou de idéia. Disposto a freqüentar a universidade em São Peterburgo para estudar a fisiologia animal, Ivan Petrovich Pavlov viajou centenas de quilômetros a pé.


Com a formação universitária, Ivan Petrovich Pavlov passou a fazer parte de um grupo de intelectuais, a inteligêntsia, uma classe emergente na sociedade russa, diferente das outras classes, ou seja, distinta da aristocracia e do campesinato.


Um historiador comentou que Ivan Petrovich Pavlov: Possuía uma formação de extremo alto nível e era inteligente demais para pertencer ao campesinato do qual originara, mas pobre e comum demais para fazer parte da aristocracia, nível ao qual jamais ascenderia. Freqüentemente, esse tipo de condição social produzia um intelectual extremamente dedicado, que concentrava a vida nas realizações intelectuais para justificar a sua existência. Esse era o caso de Ivan Petrovich Pavlov, que lançava mão da firmeza e da simplicidade do camponês russo para dedicar-se a fundo à ciência pura e à pesquisa experimental.


Ivan Petrovich Pavlov formou-se em 1875 e começou a estudar medicina, não para se tornar médico, mas na esperança de seguir a carreira na pesquisa fisiológica. Estudou dois anos na Alemanha e retornou a São Peterburgo para trabalhar durante vários anos como assistente do laboratório de pesquisas.


A dedicação de Ivan Petrovich Pavlov à pesquisa era total. Recusava-se a desviar a atenção com questões praticas como o salário, as roupas ou as condições de vida. Sua esposa Sara com quem casara em 1881, dedicava-se a protegê-lo dos assuntos mundanos. Logo no inicio do casamento, eles fizeram um pacto, e Sara concordou em cuidar dos problemas cotidianos para que nada interferisse no trabalho do marido. Em contrapartida, Ivan Petrovich Pavlov prometeu jamais beber ou jogar e sair apenas nos sábados e domingos à noite. Assim, ele adotou uma rotina rígida, trabalhando sete dias por semana, de setembro a maio, e passando os verões no campo.


Sua indiferença em relação às questões práticas é ilustrada pela história de que freqüentemente Sara era obrigada a lembrá-lo de ir receber o salário. Ela dizia que ele não era confiável para comprar as próprias roupas. Um dia, mais ou menos com 70 anos, Ivan Petrovich Pavlov estava em um bonde, indo para o seu laboratório. Impulsivamente, saltou antes de o bonde parar e acabou quebrando a perna. “Uma senhora que estava perto dele disse: ‘Meu Deus! Eis aqui um gênio, mas que não sabe sequer saltar do bonde sem quebrar a perna’.”


A família Ivan Petrovich Pavlov viveu na pobreza até 1890, quando, aos 41 anos, Ivan Petrovich Pavlov foi indicado para lecionar farmacologia na Academia Médica Militar de São Petersburgo. Alguns anos antes, quando preparava a dissertação de doutorado, nascera seu primeiro filho. O médico havia alertado de que o frágil bebê não sobreviveria, a menos que mãe e filho fossem repousar no campo. Ivan Petrovich Pavlov finalmente conseguiu dinheiro emprestado para a viagem, mas era tarde demais, e o bebê faleceu. Na época em que seu outro filho nasceu à família vivia com parentes enquanto Ivan Petrovich Pavlov, sabendo das suas dificuldades financeiras, ofereceu-lhe dinheiro sob o pretexto de pagar pelas aulas que pediram para ele, gastando o dinheiro com os cachorros para o seu laboratório. Ele parecia nunca se abalar por essas dificuldades, elas realmente não o preocupavam.


Embora a pesquisa de laboratório fosse o seu principal interesse, raramente ele mesmo conduzia experimentos. Ao contrário, geralmente supervisionava os esforços dos outros. De 1897 a 1936, cerca de 150 pesquisadores trabalharam sob a supervisão de Ivan Petrovich Pavlov, produzindo mais de 500 trabalhos científicos.


Ivan Petrovich Pavlov incorporava [os pesquisadores] em um sistema semelhante ao de uma fabrica, empregando-os como se fossem seus próprios olhos e mãos, ou seja, atribuindo-lhes um tema específico, oferecendo-lhes a tecnologia ‘canina’ adequada para realizar as experiências, supervisionando (...) as pesquisas, interpretando os resultados e editando pessoalmente o trabalho produzido.


O temperamento de Ivan Petrovich Pavlov era famoso, principalmente as suas explosões, direcionadas, em geral, aos assistentes de pesquisa. Durante a revolução bolchevique de 1917, repreendeu um assistente por chegar 10 minutos atrasado. Tiroteios nas ruas não eram justificativas para interferências no trabalho do laboratório. Com freqüência, ele esquecia rapidamente essas explosões emocionais. Seus pesquisadores sabiam muito bem o que esperar, já que Ivan Petrovich Pavlov jamais hesitava em dizer o que pensava – era franco e direto a lidar com as pessoas, nem sempre ponderado, mas tinha perfeita consciência dessa natureza volúvel. Um trabalhador do laboratório, não agüentando mais os insultos, acabou pedindo demissão. “Ivan Petrovich Pavlov afirmou que o seu comportamento agressivo era apenas um hábito (...) e não devia ser uma razão suficiente para deixar o laboratório”. O menor fracasso de uma experiência deixava Ivan Petrovich Pavlov deprimido, mas o sucesso proporcionava-lhe tamanha alegria que ele cumprimentava não apenas os assistentes, como também os cães.


Jersy Konorski, psicólogo polonês que trabalhou no laboratório, lembrava-se do tratamento dispensado pelos alunos a Ivan Petrovich Pavlov, como se ele fosse um membro da família real. Observou que era claro


o ciúme existente entre os alunos na disputa para determinar quem era o mais próximo de Ivan Petrovich Pavlov. As pessoas gabavam-se quando eram alvos por mais tempo da sua atenção (...) a atitude de Ivan Petrovich Pavlov em relação a qualquer um deles era fator determinante na hierarquia dentro do grupo.


Ivan Petrovich Pavlov foi um dos poucos cientistas russos a admitir mulheres e judeus em seu laboratório. Qualquer insinuação de anti-semitismo o deixava furioso. Era dotado de ótimo senso de humor e sabia apreciar boas piadas, mesmo que fossem a seu respeito. Durante a cerimônia em que recebeu um titulo honorário da Cambrigde university, alguns alunos que estavam sentados na galeria desceram um cachorro de brinquedo amarrado em uma corda, deixando-o cair no colo de Ivan Petrovich Pavlov. Ele guardou o cachorro sobre a escrivaninha do seu apartamento.


E. R. Hilgard, na época doutorando na Yale university, assistiu a uma palestra de Ivan Petrovich Pavlov no 9º Congresso Internacional de Psicologia, realizado em New Haven, Connecticut. Ivan Petrovich Pavlov dirigia-se ao público em russo, fazendo uma pausa de vez em quando para que o intérprete apresentasse as observações em inglês. Mais tarde, o intérprete contou a Hilgard que “Ivan Petrovich Pavlov parava e dizia: ’você já conhece esse assunto. Diga a eles o que sabe. Vou continuar e falar outras coisas’.”


As relações de Ivan Petrovich Pavlov com o governo da antiga União Soviética não eram boas. Ele criticava abertamente a Revolução Russa de 1917, bem como o sistema político e econômico soviético. Escrevia cartas de protesto para Joseph Stalin, o ditador tirano que matou e exilou milhões de russos. Além disso, Ivan Petrovich Pavlov recusava-se a comparecer a reuniões cientificas soviéticas, demonstrando, assim, o seu repúdio ao regime. Somente em 1933 Ivan Petrovich Pavlov chegou a reconhecer algum êxito dos soviéticos. Mas, apesar dessas atitudes, continuava a receber da burocracia soviética fundos substanciais para sua pesquisa, e conduzia os estudos sem a interferência do governo.


Ivan Petrovich Pavlov foi um cientista até o fim da vida. Acostumado à pratica da auto-observação sempre eu estava doente, no dia da sua morte não foi diferente. Fraco, por causa da pneumonia, chamou um médico e descreveu seus sintomas: “Meu cérebro não está funcionando muito bem, e tenho sentimentos obsessivos e movimentos involuntários; a morte deve estar se instalando”. Discutiu suas condições com o médico por alguns instantes e adormeceu. Quando acordou, sentou-se na cama e começou a procurar suas roupas com a mesma energia irrequieta que o acompanhava por toda vida. “É hora de levantar”, ele disse. “Me ajude! Tenho de me vestir!” E assim, caiu sobre os travesseiros e morreu.


O trabalho de Ivan Petrovich Pavlov (1849-1936) sobre a aprendizagem ajudou a transferir a ênfase da visão tradicional do associacionismo --- das idéias subjetivas para os eventos psicológicos quantificáveis e objetivos, tais como a secreção glandular e o movimento muscular. Como conseqüência, o trabalho de Ivan Petrovich Pavlov proporcionou a Watson o método pra estudar e tentar controlar e modificar o comportamento.





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