Gestalt

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   A Gestalt surgiu nas primeiras décadas deste século como uma espécie de resposta ao atomismo psicológico, escola que pregava uma busca do todo psicológico através da soma de suas partes mais elementares; o complexo viria pura e simplesmente da reunião de seus elementos mais simples, era uma escola de adição. A Escola da Forma dizia o contrário: não podemos separar as partes de um todo, pois dele elas dependem e não faz sentido, pelo menos o mesmo, senão enquanto partes formadoras daquele todo.

 

Em seu início, havia duas correntes na Gestalt, a dos dualistas e a dos monistas:

 

   Para os dualistas acreditavam existir uma percepção mental que diferiria da sensorial. Sendo assim, perceberíamos os elementos separadamente e só então eles formariam o todo através de uma ação do espírito, de uma percepção mental. Um desenho, por exemplo, não é um todo, mas o que estaria produzindo a forma total que percebemos, o que ligaria seus elementos seria o espírito. Encontram-se nessa corrente muitos resquícios do atomismo psicológico, enquanto que os monistas realmente romperam com eles, ao sustentarem que as partes dependem mais do todo que ele destas, que é ele quem as determina. Para os monistas o esquema da percepção seria, basicamente: estímulos sensoriais -> forma -> sensação.

 

   Para os monistas, forma e matéria não são separáveis, os elementos de uma forma não existem em si, singularmente, isso só seria possível através de abstração. Todos os elementos aparecem ao mesmo tempo, e um observar um ou outro, um tomar um ou outro como figura ou fundo tornaria a experiência diferente. Cada parte é percebida como elemento formador do todo, pertencente a ele.

 

Organização Perceptual - Assimilação e Contraste; Figura e fundo

 

   Somos bombardeados por estímulos físicos todo o tempo e, para compreendê-los, formamos organizações perceptuais (termo que se aplica tanto ao processo de organização quanto ao resultado em si). Há várias maneiras de se organizar esses estímulos, e, de fato, o fazemos, mas de tal modo que exista sempre apenas uma: nunca há dois tipos de organização em um só momento. Esse empreendimento se dá de maneira espontânea, inerente ao indivíduo, porém o consciente pode exercer um papel nesse processo, pois a organização perceptual ocorre dentro e fora da consciência: se a pessoa quiser, poderá criá-la conscientemente, mas se não o fizer, o inconsciente agirá.

 

   Um ponto importante no processo de organização perceptual é a diferenciação do campo perceptual. A maneira com que a forma é apresentada pode, por exemplo, suscitar fenômenos como a associação e o contraste.


   O primeiro destes princípios diz respeito a uma homogeneização das partes da forma a que somos compelidos quando não há fronteiras entre elas, ou quando não as percebemos. Os contornos se tornam importantes neste sentido: tendemos a tornar cada parte homogênea em matéria de luz; a assimilação pode acontecer quando há proximidade, especialmente quando estas áreas próximas não estão delimitadas. Já o contraste consiste em perceber-se uma diferença maior do que ela realmente é, e ocorre quando há uma separação das partes, quase de maneira contrária à assimilação.

 

   Observando-se o comportamento espontâneo do cérebro durante o processo de percepção, chegou-se á elaboração de leis que regem esta faculdade de conhecer os objetos. Estas normas podem ser resumidas como:

 

- Semelhança: Objetos semelhantes tendem a permanecer juntos, seja nas cores, nas texturas ou nas impressões de massa destes elementos. Esta característica pode ser usada como fator de harmonia ou de desarmonia visual.

 

- Proximidade: Partes mais próximas umas das outras,em um certo local, inclinam-se a ser vistas como um grupo.

 

- Boa Continuidade: Alinhamento harmônico das formas.

 

- Pregnância: Este é o postulado da simplicidade natural da percepção, para melhor assimilação da imagem. É praticamente a lei mais importante.

 

- Clausura: A boa forma encerra-se sobre si mesma, compondo uma figura que tem limites bem marcado.

 

- Experiência Fechada: Esta lei está relacionada ao atomismo, pensamento anterior ao Gestalt. Se conhecermos anteriormente determinada forma, com certeza a compreenderemos melhor, por meio de associações do aqui e agora com uma vivência anterior.


Fundamentos Teóricos

 

Segundo a Gestalt, existem quatro princípios a ter em conta para a percepção de objectos e formas:

 

Tendência à estruturação

 

   Tendência à estruturação é um conceito desenvolvido pela Psicologia da Forma. Explica-se pela propensão natural do ser humano a organizar ou estruturar os diferentes elementos que se lhe deparam. Tendemos a agrupar elementos que se encontram próximos uns dos outros ou que são semelhantes

 

Segregação figura-fundo

 

   Explica-nos que percepcionamos figuras definidas e salientes que se inscrevem em fundos indefinidos. Não se podem ver objectos sem separá-los do seu fundo.

 

Pregnância

 

   Por pregnância das formas, entende-se pela qualidade que determina a facilidade com que percepcionamos figuras. Percepcionamos mais facilmente as boas formas, ou seja, as simples, regulares, simétricas e equilibradas.


Constância perceptiva


   Traduz-se na estabilidade da percepção (os seres humanos possuem uma resistência acentuada à mudança). Existem três grandes tipos de constância: a da grandez (estabilidade de percepção em relação ao tamanho dos objectos), a da forma (em relação à forma que os objectos normalmente têm) e a constância da cor (que tem a ver com a quantidade de luz recebida). A constância perceptiva é particularmente importante porque, graças a ela, o mundo surge-nos com relativa estabilidade.

 

 

Exemplo:

 

   É o caso do cinema. Uma fita cinematográfica é composta de fotogramas com imagens estáticas. O movimento que vemos na tela é uma ilusão de ótica causada pelo fenômeno da pós-imagem retiniana (qualquer imagem que vemos demora um pouco para se ‘apagar’ em nossa retina). As imagens vão se sobrepondo em nossa retina e o que percebemos é um movimento. Mas o que de fato é projetado na tela é uma fotografia estática, tal como uma seqüência de slides.




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