Behaviorismo Radical

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   O behaviorismo radical baseia-se na praticidade. O contemporâneo behaviorismo radical não faz distinção entre os mundos subjetivo e objetivo,  e se concentra em conceitos e termos, e o objetivo da ciência do comportamento aqui é descrever em termos que se tornem familiares e, portanto, “explicados”, buscando a ampliação da nossa experiência natural do comportamento por meio da observação precisa. O behaviorismo radical propõe restaurar a introspecção sob os limites daquilo que podem ser observado dentro da pele humana.  Nesse sentido,  busca observar o corpo e sua interação com o meio ambiente,  equilibrando os acontecimentos externos antecedentes e os ocorridos no mundo privado,  interno de cada um. Esse tipo de abordagem facilitaria o estabelecimento de uma linguagem comportamental apta a traduzir os termos mentalistas,  sempre do ponto de vista behaviorista.  As descrições pragmáticas do comportamento do behaviorismo radical tem por fim o contexto em que ocorre e para o behaviorista radical, os termos descritivos não só explicam como também definem o que é comportamento.
 
   O behaviorismo radical foi desenvolvido como uma proposta de filosofia sobre o comportamento humano.  As pesquisas experimentais constituem a análise experimental do comportamento,  enquanto as aplicações práticas fazem parte da análise aplicada do comportamento.  A análise de um comportamento  (seja ele cognitivo, emocional ou motor) deve envolver,  além das respostas em questão, o contexto em que ele ocorre e os eventos que seguem as respostas.


   O behaviorismo radical propõe, um paradigma de condicionamento não-linear e estatístico, em oposição ao paradigma linear e reflexivo das linhas teóricas precedentes do comportamentalismo.  Em suma, Skinner defende que a maioria dos comportamentos humanos são condicionados de modo operante.


   O behaviorismo radical de B. F. Skinner é constantemente acusado de eliminar a mente de sua explicação do comportamento humano.  Em 1945, Skinner publicou o livro “The Operational Analysis of Psychological Terms”, como uma tentativa de responder às correntes internalistas do comportamentalismo e também influenciado pelo behaviorismo filosófico. Com a publicação desse livro foi marcada a origem da corrente comportamentalista denominada de behavorismo radical,  que foi desenvolvido não como uma área de pesquisa experimental, mas como uma proposta de reflexão sobre o comportamento humano.

 

   Skinner tenta, então, delinear uma variante para o behaviorismo que trate dos acontecimentos mentais como um comportamento interno, cuja descrição é acessível à observação experimental. O texto tem por objetivo apontar as causas do comportamento e, nessa investigação, as suposições sobre os sentimentos e outros estados mentais são descartadas. A vinculação da mente ao fato físico e a perspectiva fisiológica, baseada no exame do sistema nervoso, também são criticadas, enquanto as alternativas ao behaviorismo radical, defendido por Skinner, como o estruturalismo e o behaviorismo metodológico têm seus pontos fracos destacados.


   A respeito do estruturalismo, ressalta-se a validade de princípios organizadores do comportamento, como o costume, que possibilitam a previsão de ações que ainda não ocorreram. Os padrões de desenvolvimento históricos são outros componentes estruturais importantes para compreensão das mudanças, ao longo do tempo. Entretanto, embora o estruturalismo evitasse uma abordagem mentalista, na visão de Skinner, falta-lhe informações úteis que permitam dizer o porque das pessoas seguirem ou não um hábito qualquer. Tal deficiência deixou margem para manutenção de explicações mentalistas que complementassem a resposta necessária sobre as causas do comportamento. Justamente devido ao fato do estruturalismo dizer apenas como as pessoas agem, não esclarecendo o porque desse comportamento ocorrer.


   Quanto ao behaviorismo metodológico, característico dos primeiros adeptos do behaviorismo, destaca-se a introdução da história ambiental como um fator decisivo para compreensão do comportamento. Com isso, circunstâncias e comportamento podem ser relacionados e o papel do meio ambiente é realçado. Enquanto a interpretação mentalista paralisasse as demandas mais profundas, por não levar em conta esse fator fundamental, a atenção dada às causas ambientais do comportamento abriu novas questões que não podiam ser mais negadas.


   Por adotar essa postura empírica, o behaviorismo metodológico pôde ser associado ao positivismo lógico, corrente filosófica para a qual os acontecimentos mentais não deveriam ser alvo de uma ciência natural, por serem fatos "inobserváveis", do ponto de vista científico. Para os positivistas lógicos, se um autômato pudesse reproduzir o comportamento de uma pessoa, nenhuma explicação mentalista seria mobilizada para o entendimento de seu desempenho, a não ser os estímulos que o fizeram agir de tal modo. O behaviorismo metodológico teria a seu favor a descarga de qualquer filosofia introspectiva. Todavia, esses pioneiros admitiam a existência de fatos mentais, apesar de não os considerarem em suas pesquisas, o que proporcionava a especulação sobre mundos paralelos e um dualismo anacrônico, cujas provas não podiam ser fornecidas.

 

   Skinner desenvolveu os princípios do condicionamento operante e a sistematização do modelo de seleção por consequências para explicar o comportamento. 


   O condicionamento operante difere do condicionamento respondente de Pavlov e Watson porque,  no comportamento operante,  o comportamento é condicionado não por associação reflexa entre estímulo e resposta,  mas sim pela probabilidade de um estímulo se seguir à resposta condicionada.  Quando um comportamento é seguido da apresentação de um reforço positivo ou negativo, aquela resposta tem maior probabilidade de se repetir com a mesma função;  do mesmo modo,  quando o comportamento é seguido por uma punição (positiva ou negativa),  a resposta tem menor probabilidade de ocorrer posteriormente.


   O behaviorismo radical se propõe a explicar o comportamento animal através do modelo de seleção por consequências.  Desse modo,  o behaviorismo radical propõe um modelo de condicionamento não-linear e probabilístico,  em oposição ao modelo linear e reflexo das teorias precedentes do Comportamentalismo.  Para Skinner,  a maior parte dos comportamentos humanos são condicionados dessa maneira operante.




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