Os métodos do Behaviorismo de Watson

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   Quando a psicologia teve início formalmente, estava ávida por se aliar à antiga, bem estabelecida e mais respeitável ciência natural da física. A nova psicologia tentou adaptar os métodos naturais científicos às própias necessidades. Essa tedência foi ainda  mais clara no caso do behaviorismo.


   Watson insistia em que a psicologia se limitasse aos dados das ciência naturais, ao que fosse possível de observação. Em poucas palavras: a psicologia devia limitar-se ao estudo objetivo do comportamento. Somente os métodos objetivos rígidos de investigação deviam ser adotados nos laboratórios dos behavoristas. Para Watson, esses métodos incluìam.

 

    .   a obsevação, com e sem o uso de instrumentos;
  
    .   métodos de teste;
   
    .   o método de relato verbal;
  
    .   o métododo reflexo condicional.
 

   A observação constitui a base fundamental para os outros métodos. Métodos de teste objetivo já eram adotados, mas Watson propôs tratar os resultados dos testes como amostragens do comportamento, e não como indicadores das qualidades mentais, para ele, o testenão media a inteligência nem a personalidade, ao contrário, simplesmente media as respostas do indivíduo à situação do estimulo de ser submetido ao teste.


   A questão do relato verbal foi ainda mais controversa. Como Watson rejeitava tão claramente a introspecção, o uso do relato verbal no laboratório deixava uma abertura às críticas. Alguns psicólogos consideraram o ato comprometedor, afirmando ter Watson introduzido a introspecção pela porta dos fundos, depois depois de tê-la enxotado pela da frente.


   Por que ele aceitara o relato verbal? apesar da aversão pela introspecção, não pode ignorar os trabalhos realizados pelos psicofísicos com o uso da introspecção. Portanto, sugeriu que as reações orais, por serem obseváveis objetivamente, seriam significativamente para o behaviorismo, assim como qualquer tipo de resposta motora. "Falar é fazer - ou seja, comportar-se. Falar abertamente ou para nós mesmos (pensar) é um comportamento tão objetivo quanto jogar beisebol" (Watson, 1930, p. 6.).


   Todavia, a adoção do método do relato verbal no behaviorismo foi uma concessão muito questionada. Os adversários de Watson acusavam-no de fazer um jogo de palavras, de estar oferecendo apenas uma mudança semântica. Ele rebatia, concordando com que os elatos verbais talvez não fossem precisos e, portanto, não seriam os substitutos adequados da abservação objetiva. Por isso restringia o seu uso para as situações em que pudessem ser verificados, como na descrição das diferenças tonais. Os relatos verbais não-verificáveis, como o pensamento sem imagens e os relatos dos estados de sentimento, seriam descartados.


   O método do reflexo condicionado foi adotado em 1915, dois anos depois da fundação formal do behaviorismo. Os métodos de condicionamento eram pouco usados, no entanto, Watson foi bastante responsável pela sua ampla aplicação na pesquisa psicológica americana. Ele contou ao psicólogo Ernest Hilgard haver se interessado muito pelos reflexos condicionados ao estudar o trabalho de Bekhterev, embora mais tarde também creditasse a Pavlov esse interesse (Hilgard, 1994).


   Watson descrevia o condicionamento em termos de substituição de estímulo. A resposta torna-se condicionada quando associada ou conectada a um estímulo diferente daquele que a originou. (No caso dos cães de Pavlov, a resposta condicionada consistia na salivação mediante o som da campainha e não pela visualização da comida.) Ele escolheu esse tratamento por oferecer um método objetivo de análize do comportamento, de redução em unidades básicas, ou seja, em ligações de estímulo-resposta (E-R). Todo comportamento podia ser reduzido a esses elementos, portanto o método de reflexo condicionado permitia aos psicólogos conduzirem investigações acerca da complexidade do comportamento humano em laboratórios.
 

   Desse modo, Watson mantinha a tradição atomística e mecanicista estabelecida pelos empiristas britânicos e adotada pelos psicólogos estruturalistas. Sua intenção era estudar o comortamento humano da mesma maneira qe os físicos estudavam o universo, separando-o em partes componentes, entre elas átomos e elementos.


   Para a psicologia, esse enfoque exclusivo nos métodos objetivos e a eliminação da introspecção significaram uma mudança na natureza e no papel do sujeito humano no laboratório de psicologia. Para Wundt e Titchener, o indivíduo desempenhava o papel tanto do observador como do observado, já que observavam a própria experiência consciente. O seu papel era muito mais importante do que o do pesquisador.


   No behaviorismo, os indivíduos em si tornaram-se menos importantes. Eles não mais observaram; em vez disso, eram observados pelo pesquisador. Com essa mudança de enfoque, o sujeito humano do laboratório, normalmente chamado de observador, passou a ser conhecido como sujeito. Os verdadeiros observadores eram os pesquisadores, spicólogos responsáveis pela pesquisa que estabeleciam as condições experimentais e registravam as respostas dos sujeitos.
 

   Desse modo, o indivíduo foi rebaixado de posto. Não mais observava as próprias características, apenas exibia os comportamentos. E praticamente todos exibem comportamentos: bebês, crianças, pessoas portadoras de distúrbios mentais e emocionais, pombeos ou ratos. Esse ponto de vista reforçou a imagem da psicologia de semelhança entre o homem e a máquina. Como notou um historiador, "Insere-se um estímulo em uma das pequenas aberturas para, em seguida, sair um pacote de reações" (Burt, 1962, p. 232).



Veja abaixo o vídeo falando sobre o Behaviorismo de Watson:



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